Cincopes

on 07 setembro 2026

PROSA - PELO FIM DO DESFILE CÍIVICO-MILITAR

“A alma de uma nação é o espírito patriótico de seu povo”, lema da Liga da Defesa Nacional-RS!

Não é sem motivo que algumas pessoas teimam em fazer separações entre cidadãos.

Fracionar o espírito patriótico em torno do Brasil é uma forma de afastar o debate, prejudicar o pensamento lógico, acobertar privilégios, direcionar ódios e enfraquecer a união da população.

A expressão cívico-militar é uma afronta ao espírito de brasilidade, como se houvesse mais de um tipo de brasileiro.

O militar é apenas um civil que usa um uniforme chamado farda. Como o médico usa o jaleco, o operário usa o macacão, o atleta usa o fardamento de seu clube e tantos outros que conhecemos.

O uniforme é de uso no exercício da função, como identificação corporativa/profissional e todos o abandonam ao final do expediente. São cidadãos comuns na maior parte do dia.

Até o meio da segunda década desse século, num acordo entre o governo do estado, prefeitura e comandantes militares da época, em comum acordo com a Liga da Defesa Nacional do Rio Grande do Sul, chamávamos de Desfile da Independência a manifestação cívica do dia 7 de setembro, pelo entendimento de que não é cívico, nem militar, é a comemoração da INDEPENDÊNCIA de todos.

Todos eram defensores da ideia, entendendo que a organização devia ser da sociedade civil ficando a coordenação com o Exército por envolver deslocamento de efetivo, equipamentos militares e segurança de autoridades federais e estrangeiras.

A separação cívico-militar é indevida e sugere dois tipos de brasileiros. A aura criada em torno do militar faz com que ele se isole e o civil o veja como um estranho.

Ele não é mais patriota ou mais cidadão que qualquer outro brasileiro.

Como instituição tem suas próprias necessidades, mas como cidadão trabalha, paga impostos e tem direitos e deveres como qualquer outro.

Nossa luta deve ser para que consigamos unir a grande diversidade brasileira, seja de filosofia, credo, gênero, raça, ideologia ou qualquer outra expressão individual numa grande identidade nacional.

Este deveria ser o grande foco desta data, festejar a diversidade e discutir uma forma de integração nacional que crie uma IDENTIDADE NACIONAL, que nos dê paz e segurança para continuar a consolidar nossa democracia e manter nossa soberania.

BRASILIDADE é o patriotismo do brasileiro.

Pode ser apenas uma preocupação semântica trocar a forma de chamar essa manifestação popular, mas nos entendermos como uma só NAÇÃO acima da Pátria é muito importante.

Somos um país multicultural, poliétnico, diverso em religiões e crenças e deveríamos entender essa pluralidade como força.

Existe nação sem pátria, mas é impossível haver pátria sem uma nação.

Esse pensamento é importante num momento eleitoral como o que vivemos.

Soberania não é retórica, independência é uma construção permanente, democracia é liberdade com regras.

Pelo DESFILE DA INDEPENDÊNCIA, porque é sempre mais fácil amar o que construímos juntos.