Sou totalmente favorável aos debates por serem necessários à exposição dos candidatos.
Organizei e dirigi vários em TV e entidades,
alguns com mais de três horas de duração e até 10 candidatos. Nunca houve
problema e todos foram extremamente elucidativos e proveitosos.
Não vou falar sobre decisões judiciais, mas TODAS são justificáveis legalmente, concorde ou não. No Brasil, direito é uma Ciência Jurídica “E” Social. Leis não têm entendimento único, são interpretadas. O árbitro aplica a lei, o juiz a interpreta diante de contexto e conjuntura que acha pertinentes (constitucionalidade, jurisprudência, impacto, interesse social etc).
Voltando aos debates, considero um erro
lamentável os dois principais candidatos não terem participado de qualquer um deles.
Debate não é só para o eleitor, o
cidadão que não vota, pode influenciar aquele que vota e as regras aplicadas
pelas emissoras, restringem o confronto e se limitam a temas que nem sempre
estão no cotidiano do cidadão.
Os tempos são outros, não temos mais
90 dias de campanha, e isso limita a agenda.
O Brasil é enorme e parar para um
debate significa perder, no mínimo, dois dias de campanha. Temos várias redes
nacionais e se todas resolverem fazer o seu, significa abrir mão de 10 a 15
dias de campanha nas ruas, uma parte considerável de uma jornada que se reduziu
a 45 dias.
Podemos começar criando regras gerais
mínimas para os debates e cobrar coerência, justiça e participação democrática.
O debate funciona se as regras forem justas e compreendidas.
Minhas sugestões:
1.
Podemos fazer dois debates nacionais com a
participação de TODOS os candidatos
- um na primeira e outro na última semana da campanha, gerados em pool,
participação de jornalistas de veículos da imprensa nacional e internacional e,
a emissora que quiser, retransmite. A EBC pode ser a geradora.
2.
Nos debates realizados individualmente, convidar
a todos. Se a justiça liberou a candidatura, qual o critério para o veículo
discriminar? É injusto e nivelar por baixo. Temos muitos candidatos nanicos e alguns
podem ter participação inteligente e elucidativa.
3.
Todos devem fazer perguntas e responder a
todos.
4.
Nos debates ou entrevistas individuais, a
presença é facultativa, mas sem exposição de cadeiras ou púlpitos vazios, atitude
constrangedora e intimidatória. O candidato tem autonomia para ir ou não, e deve
ser cobrado apenas pelo eleitor.
Nosso maior problema está na estrutura
política partidária e as regras para o acesso às candidaturas. Devemos exigir dos
partidos, uma estruturação institucional e parlamentar mínima, ter regras
claras para as coligações e federações e um monitoramento minucioso sobre uso
de repasses eleitorais e fundos partidários, origem e destino de doações e captação
de recursos e destinar sobras de campanha para projetos de interesse público.
Enquanto não fizermos isso, os
partidos terão donos e nunca se organizarão nacionalmente para deixarem de ser
agremiações paroquiais, criminosas, fisiológicas, corruptas ou religiosas.
Não esqueçamos que um canal de TV não é
privado. O canal é de toda a população, concedido para exploração privada pelo
poder público por prazo definido e o concessionário tem responsabilidades culturais,
educacionais, sociais e públicas explícitas em seu contrato de concessão, além
de ganhar muito dinheiro com o horário eleitoral.
Se a imprensa e as emissoras de TV e
rádio se modernizassem e atuassem nesse período colocando seus interesses
políticos e comerciais em segundo plano, teríamos menos problemas.
Tem outras formas de melhorar, mas isso é um artigo, não uma tese.

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