Cincopes

on 02 outubro 2026

POLÍTICA - DEBATES E CENSURA

Sou totalmente favorável aos debates por serem necessários à exposição dos candidatos.

Organizei e dirigi vários em TV e entidades, alguns com mais de três horas de duração e até 10 candidatos. Nunca houve problema e todos foram extremamente elucidativos e proveitosos.

Não vou falar sobre decisões judiciais, mas TODAS são justificáveis legalmente, concorde ou não. No Brasil, direito é uma Ciência Jurídica “E” Social. Leis não têm entendimento único, são interpretadas. O árbitro aplica a lei, o juiz a interpreta diante de contexto e conjuntura que acha pertinentes (constitucionalidade, jurisprudência, impacto, interesse social etc).

Voltando aos debates, considero um erro lamentável os dois principais candidatos não terem participado de qualquer um deles.

Debate não é só para o eleitor, o cidadão que não vota, pode influenciar aquele que vota e as regras aplicadas pelas emissoras, restringem o confronto e se limitam a temas que nem sempre estão no cotidiano do cidadão.

Os tempos são outros, não temos mais 90 dias de campanha, e isso limita a agenda.

O Brasil é enorme e parar para um debate significa perder, no mínimo, dois dias de campanha. Temos várias redes nacionais e se todas resolverem fazer o seu, significa abrir mão de 10 a 15 dias de campanha nas ruas, uma parte considerável de uma jornada que se reduziu a 45 dias.

Podemos começar criando regras gerais mínimas para os debates e cobrar coerência, justiça e participação democrática. O debate funciona se as regras forem justas e compreendidas.

Minhas sugestões:

1.    Podemos fazer dois debates nacionais com a participação de TODOS os candidatos - um na primeira e outro na última semana da campanha, gerados em pool, participação de jornalistas de veículos da imprensa nacional e internacional e, a emissora que quiser, retransmite. A EBC pode ser a geradora.

2.    Nos debates realizados individualmente, convidar a todos. Se a justiça liberou a candidatura, qual o critério para o veículo discriminar? É injusto e nivelar por baixo. Temos muitos candidatos nanicos e alguns podem ter participação inteligente e elucidativa.

3.    Todos devem fazer perguntas e responder a todos.

4.    Nos debates ou entrevistas individuais, a presença é facultativa, mas sem exposição de cadeiras ou púlpitos vazios, atitude constrangedora e intimidatória. O candidato tem autonomia para ir ou não, e deve ser cobrado apenas pelo eleitor.

Nosso maior problema está na estrutura política partidária e as regras para o acesso às candidaturas. Devemos exigir dos partidos, uma estruturação institucional e parlamentar mínima, ter regras claras para as coligações e federações e um monitoramento minucioso sobre uso de repasses eleitorais e fundos partidários, origem e destino de doações e captação de recursos e destinar sobras de campanha para projetos de interesse público.

Enquanto não fizermos isso, os partidos terão donos e nunca se organizarão nacionalmente para deixarem de ser agremiações paroquiais, criminosas, fisiológicas, corruptas ou religiosas.

Não esqueçamos que um canal de TV não é privado. O canal é de toda a população, concedido para exploração privada pelo poder público por prazo definido e o concessionário tem responsabilidades culturais, educacionais, sociais e públicas explícitas em seu contrato de concessão, além de ganhar muito dinheiro com o horário eleitoral.

Se a imprensa e as emissoras de TV e rádio se modernizassem e atuassem nesse período colocando seus interesses políticos e comerciais em segundo plano, teríamos menos problemas.

Tem outras formas de melhorar, mas isso é um artigo, não uma tese.