Os
sindicatos de trabalhadores não
conseguem captar o grito dos galpões, que dirá o das ruas. Não conhecem o novo
trabalhador, não entendem o mundo digital e estão nas redes sociais sem método
e sem conteúdo, apenas para sustentar e proteger seu egoísmo burocrático
corporativista.
O próprio Partido “dos Trabalhadores” está perdido em sua dualidade - ser parte de um governo heterogêneo e ser um partido de massa.
Os
sindicatos automotivos estadunidenses nos deram uma lição com a longa greve no setor e suas sólidas conquistas, entre
elas a atração das gerações Z e Alfa
às linhas de produção. Reticentes ao formalismo
e qualquer relação com entidades de classe, voltaram ao mercado, fortalecendo
os sindicatos e reduzindo consideravelmente a faixa etária no chão de fábrica.
Com
o avanço da globalização e do neoliberalismo surgiu o PRECARIADO. O dinheiro conquistou trânsito internacional sem
amarras ou regras, mas o trabalhador seguiu com regras que priorizam sua insegurança, flertando com uma escravidão moderna.
O
empresariado reclama do apagão de mão-de-obra sem reconhecer sua parte no
problema. Qualquer empresa deve gerar riqueza
também à sociedade, como forma de retribuir as condições para empreender –
infraestrutura, educação, saúde, segurança, crédito subsidiado e benefícios
tributários (condições especiais, incentivos e isenções). Falha ao uberizar
o trabalho, remunerar mal, incentivar a rotatividade e o assédio moral, sem
reconhecer o papel fundamental do trabalhador como real gerador de riqueza em sua estrutura de produção.
A
uberização virou empreendedorismo, mas o empreendedor de si mesmo, luta por sua subsistência,
contrariando a fórmula dos coachs – “quer
sucesso, trabalhe bastante”.
O
empreendedor individual “empreende dores”,
as suas, criando o proletário precariado.
O
“empreendedorismo” não melhorou as
condições de mobilidade social, foi apenas
uma maneira de desestruturar a organização associativa e sindical, dividindo o precariado do proletariado.
O sucesso da estratégia os deixou a mercê de oportunistas – coordenador de zap,
líderes naturais, políticos oportunistas e exploradores de sua insegurança.
Sem
sentido de pertencimento, fazem
parte de grupos com espírito de gangues.
Vivem de trabalhos temporários, vendem o almoço para pagar a janta.
Sem
chefe ou patrão, o Estado e a sociedade passaram a ser culpados por sua situação.
A
desarticulação e falta do espírito de classe facilita às empresas. A Uber, por
exemplo, infiltra profissionais em grupos de motoristas e motociclistas nas redes
para dirigir discussões, atenuar conflitos e identificar vozes a serem
silenciadas, punidas ou excluídas sem explicações, um pelourinho digital.
A
disseminação do modelo criou os boias-frias
modernos, a nova camada social proletária que une campo, cidade, altamente
escolarizado, operariado, techprecariado
e autônomos.
Se
as condições persistirem, teremos uma instabilidade
social ou revolução dessa turma em busca de avanço social, econômico e
cidadania, incentivada pelo extremismo que cria conexões com essa força e a
direciona para atuar nas ruas como seus peões.
Governo
e sindicatos devem vê-los como uma nova camada
social dentro da classe trabalhadora
e encontrar uma forma de apoiar, incluir e alinhar suas aspirações às da
sociedade, ajudando em sua conscientização como parte do proletariado. Ao invés
de ver futuro algum, entender que só organização e mobilização podem gerar
otimismo e ajudar na preservação de direitos conquistados duramente por seus
pais.
Hoje
é o Dia do Trabalhador e sindicatos
e governos devem à sociedade esse esforço de encontrar uma forma de mobilizar e engajar esse pessoal, antes que se tornem massa de manobra, como
aconteceu na sequência dos protestos de 2013,
onde o extremismo e o radicalismo se apropriaram politicamente de um movimento
justo.
Não
era a elite na rua. 81% eram jovens
entre 14-30 anos, 93% tinham nível médio ou superior incompleto, 50% ganhavam
até cinco salários mínimos, 30% entre 5-10 SM e 20% acima de 10 SM. Nascidos na
era digital, sofrem nas últimas décadas de um processo de imbecilização cultural, despolitização, irracionalismo social e
violência como solução fácil.
Mais
de uma década depois, como continuam sem encontrar respaldo nas organizações políticas ou amparo no Estado, eles auto cassam seus direitos políticos. Renegam
a organização profissional, descreem da vida coletiva, assumem o
individualismo, negam a política, deixam de votar e terceirizam seus direitos aos oportunistas.
Falta
ao trabalhador – operário, empresário e empreendedor, entender que TODOS são TRABALHADORES, vivem do suor de seu esforço. Se você não pode parar
de trabalhar hoje e viver sem conferir periodicamente o saldo bancário, você é
um trabalhador. Assuma seu papel e pare de defender quem manobra o sistema. Esse
espírito de classe é que fez outros países progredirem, a união da classe trabalhadora.
Estes
pontos, unidos à necessidade de disponibilidade permanente e a ansiedade, geram
atitudes irracionais como
insatisfação social, frustração profissional, rebeldia, espírito de manada, desencanto,
desalento, angústia, relações afetivas supérfluas e flerte com o autoritarismo populista.
O
proletário precariado, frustrado em
sua busca pelo sucesso e sem compreender porque o Estado permite e aplica benefícios e prioridades para ricos e corporações, e não para a classe de
trabalhadores, foi uma das causas que jogou o país na crise e desaguou no impeachment e na catástrofe política que o Brasil viveu durante o governo eleito em
2018.
Os
partidos com base social precisam se aproximar dos movimentos organizados e ouvir
os descontentes buscando o entendimento, alinhamento programático e desenho de
soluções que acolham, engajem e criem expectativas positivas para o futuro.
Apesar
da taxa de informalidade vir recuando
nos últimos anos (37,5%/jan26) ainda é um risco ao bem-estar social daqui 20 ou
30 anos.
Enquanto
isso, a despolitização é um risco à democracia.
VOTE CONSCIENTE!

Emoticon Emoticon