Cincopes

on 10 maio 2026

PROSA - COM LICENÇA, MATERNIDADE

Onde estão as mães?

Essa pergunta é pertinente hoje e todos os dias.

O conflito família, trabalho e maternidade torna a identidade pessoal da mulher um constante dilema.

Vivemos um momento crítico no enfrentamento ao extremismo conservador de boa parcela da população diante da figura feminina.

Os avanços com os direitos civis estão em risco e os dramas que elas enfrentam são semelhantes, independente de nível cultural e econômico.

É compreensível qualquer decisão tomada por elas com base no que faz sentido para o seu momento de vida, mas é uma decisão a ser compartilhada com o parceiro e a família, porque pode frustrar anseios de outros.

Além de ser uma opção totalmente pessoal, enfrentar o ambiente social e corporativo sem apoio e condições paritárias, exige preparo físico e emocional.

As empresas ainda não entendem que contratam habilidades e competências, não a vida das pessoas. Pesquisa da FGV mostra que quase 50% das mulheres deixam o mercado de trabalho 24 meses após a licença-maternidade.

Após superarem a pressão do relógio biológico ao decidir ter filhos naturais num período de maturação da carreira, vivem problemas comuns. Da falta de creche a culpa por deixarem o filho aos cuidados da babá. Da jornada extra no transporte coletivo às viagens e intermináveis reuniões. Dos baixos salários à luta por paridade salarial com homens. Do uniforme doméstico ou operário ao estilo impecável e a ditadura da moda. Todas convivem em ambiente hostil e bons salários amenizam a situação, mas não resolvem o problema.

Maternidade pode significar demissão, desvantagem em avanços na carreira ou veto a participação em projetos importantes. Por outro lado, os gestores devem vê-la como uma evolução importante com o aprimoramento de sua sensibilidade, capacidade de conciliar interesses e o desenvolvimento de novas habilidades. Muitos veem uma outra mulher após a maternidade, quando na verdade é a mesma, apenas mais evoluída.

Maternidade depende de uma rede de apoio confiável, do marido à empresa, passando pelos familiares, e estar preparada psicologicamente para evitar sentimento de culpa ou abandono.

A área de recursos humanos tem evoluído, se tornou um gestor de pessoas, mas ainda não é uma área estratégica na maioria das empresas.

Um bom avanço seria a criação de políticas e programas inclusivos e campanhas que preparem as mulheres para a tomada de decisão quanto a maternidade.

No mês das mães, paremos para pensar em como podemos eliminar obstáculos e reconhecer que lugar de mulher é sendo feliz!

Às mulheres da minha vida - avós, mãe e as mães de meus filhos, obrigado por me fazerem feliz com a alegria de sua maternidade.