Cincopes

on 03 agosto 2026

PROSA - NOVAS AMBIÊNCIAS

Sou um ser analógico-digital. Venho das válvulas, passei pelo transistor, circuito integrado, nanotecnologia e cheguei aos chips de alto desempenho.

Como é difícil se desfazer de alguns hábitos, todo o meu trabalho é autoral, do texto às ilustrações de posts, artigos e ppts, e algumas experiências recentes impactantes reforçaram minha percepção sobre criatividade e tecnologia.

Na mesma banca, projetos semelhantes tiveram destinos opostos, o com curadoria humana foi aprovado e o sem curadoria, foi rejeitado.

Em outro caso, no final da reunião, a executiva disse que fazia muito tempo que não recebia um projeto com autoria humana. Perguntei como ela percebeu a diferença e ela disse que todos têm a mesma cor, formato, fontes, ilustrações e os textos parecem saído da mesma xerox (alguém ainda sabe o que é isso?).

E pra testar a curadoria humana, escrevi um texto e pedi ao Claude para transformar em um artigo com seis parágrafos, linguagem coloquial e simples. O resultado foi um texto padrão.

Depois, usei o Cowork do Claude para fazer o mesmo pedido, apenas indiquei o meu blog e a pasta de artigos do meu desktop como autor-referência para pesquisa autoral.

A diferença foi gritante, entregue no mesmo tempo e na minha área de trabalho.

Isso também é uma diferença nas interfaces. Não precisei abrir nenhum arquivo, interagir com qualquer menu e nem fazer download da entrega. Você trabalha dentro de um ambiente digital on line. O home-office virou anywhere-office.

Em TV, vivi o videotape banda alta e banda baixa, quadruplex, helicoidais, u-matic, SVHS, MII, betacam e chegou no off line. Um feito!

Conheci 370, /3, 486, Pentium 1, disquete, jaz, zip, cd, dvd, pen drive e cheguei à nuvem. Uma vitória!

Assisti o aumento da velocidade de processamento do FLOPS ao EFLOPS, passando pelo G, T e P, e vivo no limiar do ZFLOPS. Uma façanha!

IA é um bebê extremamente rápido engatinhando no chão da sala que precisa ser treinado e, quando foge de ambientes controlados, faz sem entender porque faz e quais as consequências. Para ela funcionar bem, é preciso a interação humana para educa-la e forçá-la a se superar, evitar o resultado medíocre, sem autenticidade, criatividade e autoridade.

Ao contrário das máquinas, o homem é flexível, adaptável, renovador e inteligente, mas falha ao usar a tecnologia que criou em nome da preguiça.

Pude perceber que não trabalhamos mais com ferramentas, assistentes ou uma IA. Temos um ambiente interconexo em que a inteligência artificial flutua entre eles orquestrando suas finalidades e criando conexões baseadas na sua intenção. A máquina já “entendeu” o que você quer, como você navega, por onde você anda e onde estão seus interesses.

A grande inovação do Windows dos anos 80 – navegadores, pastas e menus, tem seu fim datado. A nova arquitetura tem novas variáveis, novos paradigmas, novas possibilidades e novos princípios estruturais fundamentais - a intenção, a autonomia, a adaptação e a orquestração entre instrumentos num ambiente adaptativo.

Prestigie e eduque seu prompteiro, ele é a interface humana que pode melhorar ou piorar seu trabalho, com a mesma rapidez.

Para mantermos este mundo sustentável, temos que respeitar o meio ambiente físico, nos educar para interagir e agir com a inteligência artificial e nos adaptar a um novo ambiente digital.

Em breve, viveremos simultaneamente em duas dimensões.