Sou um ser analógico-digital. Venho das válvulas, passei pelo transistor,
circuito integrado, nanotecnologia e cheguei aos chips de alto desempenho.
Como é difícil se desfazer de alguns hábitos, todo o meu trabalho é
autoral, do texto às ilustrações de posts, artigos e ppts, e algumas
experiências recentes impactantes reforçaram minha percepção sobre criatividade
e tecnologia.
Na mesma banca, projetos semelhantes tiveram destinos opostos, o com curadoria
humana foi aprovado e o sem curadoria, foi rejeitado.
Em outro caso, no final da reunião, a executiva disse que fazia muito
tempo que não recebia um projeto com autoria humana. Perguntei como ela percebeu
a diferença e ela disse que todos têm a mesma cor, formato, fontes, ilustrações
e os textos parecem saído da mesma xerox (alguém ainda sabe o que é isso?).
E pra testar a curadoria humana, escrevi um texto e pedi ao Claude para
transformar em um artigo com seis parágrafos, linguagem coloquial e simples. O resultado
foi um texto padrão.
Depois, usei o Cowork do Claude para fazer o mesmo pedido, apenas
indiquei o meu blog e a pasta de artigos do meu desktop como autor-referência para
pesquisa autoral.
A diferença foi gritante, entregue no mesmo tempo e na minha área de
trabalho.
Isso também é uma diferença nas interfaces. Não precisei abrir nenhum
arquivo, interagir com qualquer menu e nem fazer download da entrega. Você
trabalha dentro de um ambiente digital on
line. O home-office virou anywhere-office.
Em TV, vivi o videotape banda alta e banda baixa, quadruplex,
helicoidais, u-matic, SVHS, MII, betacam e chegou no off line. Um feito!
Conheci 370, /3, 486, Pentium 1, disquete, jaz, zip, cd, dvd, pen drive e
cheguei à nuvem. Uma vitória!
Assisti o aumento da velocidade de processamento do FLOPS ao EFLOPS,
passando pelo G, T e P, e vivo no limiar do ZFLOPS. Uma façanha!
IA é um bebê extremamente rápido engatinhando no chão da sala que precisa
ser treinado e, quando foge de ambientes controlados, faz sem entender porque
faz e quais as consequências. Para ela funcionar bem, é preciso a interação
humana para educa-la e forçá-la a se superar, evitar o resultado medíocre, sem
autenticidade, criatividade e autoridade.
Ao contrário das máquinas, o homem é flexível, adaptável, renovador e
inteligente, mas falha ao usar a tecnologia que criou em nome da preguiça.
Pude perceber que não trabalhamos mais com ferramentas, assistentes ou
uma IA. Temos um ambiente interconexo em que a inteligência artificial flutua
entre eles orquestrando suas finalidades e criando conexões baseadas na sua
intenção. A máquina já “entendeu” o que você quer, como você navega, por onde
você anda e onde estão seus interesses.
A grande inovação do Windows dos anos 80 – navegadores, pastas e menus,
tem seu fim datado. A nova arquitetura tem novas variáveis, novos paradigmas,
novas possibilidades e novos princípios estruturais fundamentais - a intenção,
a autonomia, a adaptação e a orquestração entre instrumentos num ambiente
adaptativo.
Prestigie e eduque seu prompteiro, ele é a interface humana que pode
melhorar ou piorar seu trabalho, com a mesma rapidez.
Para mantermos este mundo sustentável, temos que respeitar o meio
ambiente físico, nos educar para interagir e agir com a inteligência artificial
e nos adaptar a um novo ambiente digital.
Em breve, viveremos simultaneamente em duas dimensões.

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