Cincopes

on 06 agosto 2026

PROSA - A REINVENÇÃO DO HOMEM SOCIAL

Chegamos ao fim do círculo dourado estude-trabalhe-conquiste.
Estudo não garante trabalho, trabalho não leva ao sucesso e as conquistas são vazias e efêmeras. Vivemos numa roda de hamster, sempre desejando mais.
E esse problema nenhuma inteligência artificial resolve, a solução é 100% humana.
A ganância usa a tecnologia e destruiu o trabalho como base da dignidade humana. Pouco importa conhecimento, diplomas, mestrados e doutorados, você sempre será um número.
A palavra informalidade precisa ser rediscutida. O subempregado não está na informalidade, ele está próximo da escravidão. E o sistema comunica tão bem que eles se acham patrões.
Não é mais ser parte, criar coisas, mover a economia, construir sonhos... Ganhar dinheiro é tudo! Num processo de erosão moral, flexibilizamos limites morais, éticos e lógicos. Criminosamente, vale tudo! Apostar, roubar, usurpar, ludibriar, enganar... O fim justifica o começo, os meios e o porsche na foto do post.
O mercado investe na economia da atenção, inflaciona desejos e freia anseios com a engenharia do medo. Junto com a mídia, cultivam o pessimismo como forma de conter expectativas e estimular consumo compulsório.
Dados e números atestam que não estamos tão mal, mas sempre tem um "mas” criando o temor futuro, apesar dos problemas estruturais serem causados pelo próprio mercado - juros altos, a tecnologia consumindo vagas, geopolítica colonialista, produtos caros, mão de obra barata, descentralização das áreas de produção, verticalização desenfreada, home office sem fronteiras e outros.
A frustração alimenta o consumo, tem que comprar... comprar... comprar...
Cada degrau social que subimos, aumenta a raiva porque o topo da pirâmide sempre está longe e não nos afastamos o suficiente de onde viemos para esquecer quem somos.
Alimentamos ansiedade e insatisfação permanente. Não vivemos a felicidade do momento porque logo a pressão nos dá mais um desafio. No final do dia, final da semana, final do mês, final do ano, final da vida... temos a certeza de que o esforço não valeu a pena, porque a escada não tem fim.
Nos países com sociedades exigentes, ser normal é motivo de vergonha e degradação da saúde mental. O índice de suicídios de jovens é maior do que em países onde a esperança é artigo raro.
O Brasil, exemplo mundial em mobilidade social, vive um sentimento de descrença comparável aos níveis dos EUA, França e Alemanha.
Aqui, o cara veste a carapuça e vai à luta, porque se não escolher bem quais capacidades desenvolver, será um MBA no Uber ou um doutor pedalando pro IFood.
Perdemos os últimos da Geração X e os primeiros Millenials nessa guerra. Formam uma turma amorfa, sem conquistas. Vivem com os pais, cuja casa vira refúgio para suas frustrações. Casamentos e relacionamentos não duram, aquele negócio não deu certo, o emprego exige demais... não tem problema, sempre tem a casa dos pais para voltar sem preocupação.
Ajude botando seu filho para fora de casa.
Minha geração não entende e acha a Geração Z irresponsável, sem ambição.
Lamento informar que ela é mais rebelde que nós, enfrenta o sistema. Os desta geração que ainda estão nas redes é para performar, confundir e alienar, a serviço de alguém, tocados pelo canto da sereia do ganhe-ganhe-ganhe, não importa como.
A maioria já pratica uma ou mais formas de se afastar ou administrar o uso da tecnologia: detox digital, appstinência, cold turkey, adesão radical ao modo escuro, dumphones, criam clubes off-line, praticam Feed Zero e outros. São os maiores usuários das ferramentas nativas Bem-Estar Digital (Android) e Tempo de Tela (IOS).
Agora, iniciam consórcios entre irmãos e amigos para compra de imóveis, uma modernização das velhas repúblicas, exercício de liberdade e responsabilidade que muito ajudou os boomers.
A geração Alfa já nasce esperta e está no limiar de entrar no mercado de trabalho. São mais independentes, questionadores, empáticos e progressistas porque muitos vêm de lares não tradicionais (mãe-solo, pai-solo, casal homo afetivo ou inter-racial).
O futuro não é sobre emprego e trabalho, é sobre o homem se reinventar como força política, produtiva, remunerada, participativa, empática e socialmente incluída.