Chegamos ao fim do círculo dourado estude-trabalhe-conquiste.
Estudo não garante trabalho, trabalho não leva ao
sucesso e as conquistas são vazias e efêmeras. Vivemos numa roda de hamster,
sempre desejando mais.
E esse problema nenhuma inteligência artificial
resolve, a solução é 100% humana.
A palavra informalidade
precisa ser rediscutida. O subempregado não está na informalidade, ele está
próximo da escravidão. E o sistema
comunica tão bem que eles se acham patrões.
Não é mais ser parte, criar coisas, mover a
economia, construir sonhos... Ganhar dinheiro é tudo! Num processo de erosão
moral, flexibilizamos limites morais, éticos e lógicos. Criminosamente, vale tudo! Apostar, roubar, usurpar,
ludibriar, enganar... O fim justifica
o começo, os meios e o porsche na foto do post.
O mercado investe na economia da atenção, inflaciona desejos e freia anseios com a engenharia do medo. Junto com a mídia, cultivam
o pessimismo como forma de conter expectativas e estimular consumo compulsório.
Dados e números atestam que não estamos tão mal, mas
sempre tem um "mas” criando o temor
futuro, apesar dos problemas estruturais serem causados pelo próprio
mercado - juros altos, a tecnologia consumindo vagas, geopolítica colonialista,
produtos caros, mão de obra barata, descentralização das áreas de produção, verticalização
desenfreada, home office sem fronteiras e outros.
A frustração
alimenta o consumo, tem que comprar... comprar... comprar...
Cada degrau social que subimos, aumenta a raiva porque o topo da pirâmide sempre
está longe e não nos afastamos o suficiente de onde viemos para esquecer quem
somos.
Alimentamos ansiedade e insatisfação permanente.
Não vivemos a felicidade do momento porque logo a pressão nos dá mais um
desafio. No final do dia, final da semana, final do mês, final do ano, final da
vida... temos a certeza de que o esforço não valeu a pena, porque a escada não
tem fim.
Nos países com sociedades exigentes, ser normal é
motivo de vergonha e degradação da saúde mental. O índice de suicídios de
jovens é maior do que em países onde a esperança é artigo raro.
O Brasil, exemplo mundial em mobilidade social,
vive um sentimento de descrença comparável aos níveis dos EUA, França e
Alemanha.
Aqui, o cara veste a carapuça e vai à luta,
porque se não escolher bem quais capacidades desenvolver, será um MBA no Uber ou um doutor pedalando pro IFood.
Perdemos os últimos da Geração X e os primeiros
Millenials nessa guerra. Formam uma turma amorfa, sem conquistas. Vivem com os
pais, cuja casa vira refúgio para suas frustrações. Casamentos e
relacionamentos não duram, aquele negócio não deu certo, o emprego exige
demais... não tem problema, sempre tem a casa dos pais para voltar sem
preocupação.
Ajude botando seu filho para fora de casa.
Minha geração não entende e acha a Geração Z irresponsável, sem ambição.
Lamento informar que ela é mais rebelde que nós, enfrenta o sistema. Os
desta geração que ainda estão nas redes é para performar, confundir e alienar,
a serviço de alguém, tocados pelo canto da sereia do ganhe-ganhe-ganhe, não
importa como.
A maioria
já pratica uma ou mais formas de se afastar ou administrar o uso da tecnologia:
detox digital, appstinência, cold turkey,
adesão radical ao modo escuro, dumphones,
criam clubes off-line, praticam Feed Zero e outros. São os maiores usuários das
ferramentas nativas Bem-Estar Digital (Android) e Tempo de Tela (IOS).
Agora, iniciam consórcios entre irmãos e amigos para compra de imóveis, uma
modernização das velhas repúblicas, exercício de liberdade e responsabilidade
que muito ajudou os boomers.
A geração Alfa
já nasce esperta e está no limiar de entrar no mercado de trabalho. São mais
independentes, questionadores, empáticos e progressistas porque muitos vêm de
lares não tradicionais (mãe-solo, pai-solo, casal homo afetivo ou
inter-racial).
O futuro não é sobre emprego e trabalho, é sobre
o homem se reinventar como força política, produtiva, remunerada,
participativa, empática e socialmente incluída.

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