No mês de alerta à saúde mental e
emocional, pensemos sobre lazer e repouso, direitos fundamentais na
Constituição e na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Todo ano, fazemos planos sobre o
que fazer, mas nunca reservamos um tempo
para não fazer.
VIDA LOUCA é a síntese
de nosso modo de vida e da forma como tratamos aquele que gera riqueza. Desigualdade
econômica e social, cultura da produtividade, precárias condições de trabalho,
custo do lazer, péssimo transporte público, caos urbano e a pressão por
resultados fragilizam a vida e a
saúde física e mental do trabalhador.
Mais que a jornada de 8 horas, ele enfrenta jornadas de até 4 horas num coletivo desconfortável, lotado, inseguro e nada pontual. Alimenta-se mal, sem tempo para os filhos, resolver problemas pessoais, tratar da saúde, atender compromissos e investir em aprendizado profissional. E nas folgas, seu lazer é ser motorista de aplicativo, entregas, serviços gerais, limpeza e outros bicos.
O lazer é caro, a especulação
imobiliária diminuiu e afastou os espaços públicos, obrigando o uso de um
transporte coletivo inexistente no final de semana.
A partir dos anos 80, o trabalhador
tem seu salário achatado, enquanto o produto que ele cria ganha valor. A disparidade
entre os maiores salários e os da grande massa se multiplicou por 30.
Pergunte porque o brasileiro se
sujeita a viver em outros países fazendo trabalhos que aqui renega. É simples!
Diferente do Brasil, o primeiro mundo valoriza o trabalhador, a mão de obra tem
melhores salários e os bens de consumo são mais baratos.
Todos já vimos vídeos de quem mora
fora alardeando os preços baixos de carros e bens de consumo. Tente iniciar uma
obra sem proporcionar estacionamento para os trabalhadores deixarem seus carros
pra ver se contrata alguém. E só os muito ricos têm empregados, enquanto aqui,
classe média tem cozinheira, motorista e babá. Nem vou falar do significado de
rico para eles e de como aqui, qualquer um se acha rico por ganhar R$ 50
mil/mês.
E não adianta a desculpa do
imposto, porque lá como cá, o leão pega.
Não tá no preço, mas tá no plano de
saúde, na previdência privada, no aluguel, no consumo, no imposto sobre
rendimentos e outros impostos e taxas que tem que pagar.
O salário mínimo é U$ 2.500 dólares
(EUA) e a isenção é até U$ 16.000/ano. Passou 1 dólar, morre em 20%, sem faixa
compensatória. Aqui, o salário mínimo é R$ 1.600 e está isento até R$ 60
mil/ano com taxa compensatória até R$ 90 mil/ano. Além de ter escola pública,
do infantil ao ensino superior e um sistema de saúde universal democrático, pode
abater 100% dos gastos com saúde e tem um teto para educação. Não é perfeito,
mas é melhor que pagar U$ 3 mil pela ambulância em acidente de trânsito, U$ 250
dólares por um curativo ou hipotecar a casa para um tratamento de saúde.
Quando aparecerem os malucos
contando das maravilhas de viver lá fora, pense nisso.
Apesar do esforço do setor de
recursos humanos, o ambiente é o maior mal das empresas. A tecnologia só
agravou o problema, muito pelo baixo nível de formação dos líderes. Desconhecem
que a semana do trabalhador é continua, fez bico na folga pra comprar o
material escolar do filho.
Vivemos a ideologia do cansaço! Se
não reclamar, pressione por produtividade, mesmo que ela seja de má qualidade.
Essa realidade faz o trabalhador se sentir culpado se não cansar.
Os impactos são diferentes entre as
pessoas. Aqueles que podem, fazem do ócio performance
em redes sociais, ostentação e luxo, reflexo das profundas desigualdades do país.
O ócio foi deturpado. De descanso necessário para a saúde mental e criatividade,
passou a ser identificado como preguiça ou procrastinação.
Um bom tema para um Janeiro Branco, o mês da atenção à saúde mental e emocional.

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