Cincopes

on 06 junho 2026

POLÍTICA - A RAIVA NÃO SECRETA AINDA ESTÁ AQUI

Assistir Ainda Estou Aqui e o Agente Secreto é uma viagem no tempo.

Num, o tema é explicito. A leveza da feliz vida dos Paiva, aumenta o peso do desaparecimento do pai, nos faz espectadores angustiados e testemunhas da dor e do momento. É fato histórico.

No outro, a ditadura está em textos, manchetes, notícias no rádio, pequenas passagens, origem e destino desconhecidos de personagens e nas figuras obscuras e violentas que caçam o protagonista. Assistimos conscientes que é uma ficção baseada em tantas histórias reais.

Ao sair da escuridão da sala de cinema, caímos na luz da realidade, e não há como sufocar a raiva ao pensar que há pessoas que não acreditam ou menosprezam a gravidade do período.

Mesmo os dados históricos, pesquisas acadêmicas e provas públicas disponíveis em arquivos nas maiores uiversidades do mundo, no Departamento de Estado dos EUA, na CIA, biblioteca do Capitólio e tantas fontes legítimas e qualificadas, são insuficientes para trazer bom senso e lucidez às pessoas.

Somos um país que não alcança a redenção porque os bandidos sempre acham ingênuos que pregam a anistia como sinônimo de paz, quando, na verdade, a impunidade demonstra fraqueza de caráter.

Nos anos 60 e 70 passados, muitos países enfrentaram movimentos alimentados pelos dois lados da Guera Fria, confiantes de que só a democracia resolve os problemas da democracia.

A Grã-Bretanha enfrentou o terrorismo do IRA por 90 anos sem jamais ameaçar a democracia.

A Alemanha combateu o grupo Baader-Meinhof sem alterar uma vírgula de sua Constituição.

A Itália enfrentou o Golpe Borghese, de extrema-direita, a fúria das Brigadas Vermelhas, de extrema-esquerda, e a Máfia, como crime organizado, sem jamais pensar em desrespeitar a lei.

A Espanha resistiu ao ETA, separatistas bascos, por 50 anos, sem afrontar o rei e a constituição.

Na América Latina, houve muitas ditaduras oriundas de golpes de estado em vários países e todos processaram e puniram os golpistas, O Brasil é o único país latino onde os militares são vistos como permanente ameaça à democracia.

A desculpa idiota de que o  golpe foi para “salvar” o país do comunismo se esvai ao ver o país legado. Concentração de renda, desigualdade social, monopólios e oligópolios nos principais setores da economia, a inversão da base do capitalismo – renda alta e produtos baratos, por uma base industrial que produz para poucos e paga mal, um sistema bancário cuja rentabilidade está nas taxas e juros, não no desenvolvimento, um congresso que não representa a população, a cartelização da corrupção, o crime infiltrado e organizado, uma mentalidade policial que vê o cidadão como inimigo, uma lei de anistia que afronta o direito internacional, o privado dono do Estado, uma sociedade dividida pela distorção do sentido de patriotismo e uma impunidade que não nos permite dormir em segurança.

A sociedade precisa canalizar essa raiva para o ajuste de contas com seu passado. Levantar véus, reescrever verdades, punir criminosos e traidores, enquadrar o poder paralelo, ecocômico, criminoso e militar, e discutir nos bancos escolares a nossa verdadeira história.

Enquanto as tristezas da nossa história forem fantasias alegóricas de democracia, haverá inocentes a serem manipulados.

A próxima eleição será entre quem defende a democracia e quem prega o autoritarismo e a ditadura disfarçados de patriotas, na verdade, pai-triotas.

Não podemos fugir do debate, é preciso posicionamento, porque o terror está à espreita na urna das eleições.

VOTE CONSCIENTE!