Cincopes

on 16 junho 2026

POLÍTICA - SELEÇÃO BRASILEIRA

Somos todos pressionados a torcer pela seleção brasileira de futebol. Até quem não gosta ou desconhece o assunto, precisa demonstrar espírito esportivo e patriótico.

O Brasil estreiou com um empate contra a seleção do Marrocos.

O que mudou na sua vida com o empate?

O que teria mudado se o Brasil tivesse sofrido uma derrota?

O que teria melhorado se o Brasil tivesse vencido?

Somos mais de duzentos milhões de técnicos de futebol, com palpites de como joga e quem joga no escrete canarinho, onde atuam atletas caríssimos, com rendimentos milionários, sustentados por uma máquina de fazer dinheiro e fama que não tem nada com nossa vida. Dane-se sua habilidade, espírito esportivo, amor à Pátria ou seu caráter, importa quantos apaixonados mobiliza, quantos milhões de seguidores carrega, quantos milhões de reais é capaz de gerar aos patrocinadores e aos cartolas.

Nossa seleção de futebol é um arremedo de time.

Se o brasileiro tivesse o mesmo empenho e participação na escolha de outra seleção, muito mais importante, seríamos o país campeão mundial em muitos assuntos.

Em outubro, elegeremos uma seleção que realmente vai importar para nossa vida, mas recursos milionários e um esforço de comunicação transformou o brasileiro num ser irracional. Uma campanha competente fez o cidadão achar política ruim e desmobilizou o eleitor, quando na verdade, ruins são os políticos brasileiros.

Nossos políticos tomaram o mesmo caminho dos jogadores brasilerios. Abandonaram a política, viraram celebridades, monetizam o mandato com cortes e lives, mentem acintosamente, roubam descaradamente, corrompem criminosamente, desviam recursos deslavadamente.

Nossos políticos são um arremedo de time.

Perdemos o sentido de polarização, achando que a disputa que teremos, em outubro, será sobre ideologia, um assunto que não está na pauta.

É uma luta entre dois modelos.

Um tem um projeto em que poderemos discutir ideias, contestar decisões, apoiar programas, nos opor a projetos, lutar pela desigualdade, tudo dentro da democracia.

O outro quer padronizar costumes, extinguir culturas, unificar religiões, armar o cidadão, institucionalizar o crime, apaniguar amigos, consolidar o clã, acabar coma democracia. Um projeto autoritário com viés ditatorial, entreguista, preconceituoso, que discrimina brasileiros por raça, gênero, ideologia, religião, urbano e rural. Isso não é ideologia, é um projeto de poder pessoal e familiar.

Ao fazer suas escolhas, tenha consciência que esta eleição pode marcar o início de uma era onde corremos o risco de não termos oportunidade de votar por muitos anos e, ao invés de temermos a estrela de um partido, virarmos uma estrela na bandeira de outro país.

Como no futebol, não abandone o país. Se o time é ruim, a torcida precisa ser boa.

Na seleção política, além de torcedor, você é o treinador e pode escolher quem joga e como joga.

VOTE CONSCIENTE!