A mística de tecnologia e o uso da IA como solução de problemas, tem
colocado várias empresas num dilema – qual o impacto real de seus investimentos
em TI?
Muitas vezes, o simples implemento de tecnologia leva gestores a definirem metas ambiciosas, sem métricas ou parâmetros consistentes que meçam seu efeito real nos negócios.
O CIO se vê pressionado pela área de negócios como se tecnologia fosse a
solução.
Qualquer inovação deve ser debatida internamente, de negócios à TI, do
financeiro à comunicação, porque impactam na qualidade do trabalho,
produtividade e segurança de dados. Crie um comitê multidisciplinar apoiado por
uma consultoria profissional capaz de dimensionar a sua real necessidade e não
apenas vender soluções.
Este cuidado evita gastos desnecessários. Descubra o que realmente precisa,
como aplicar, quem gere, defina métricas, prazo de full operation e quem será o guardião dos dados.
A área de TI aponta vários problemas. Uso descontrolado de SaaS, falta de
critério na escolha de produtos e fornecedores e a liberalidade dada aos
setores e aos profissionais para a adoção de softwares e apps, sem o seu aval.
Esse descontrole é responsável direto pelo alto custo e estouro de
orçamentos de tecnologia e fragiliza significativamente a segurança ao ampliar
as oportunidades de ataque cibernético.
A TI não protege o que não vê.
IA exige um enorme poder computacional, o que encarece os serviços em
nuvem, fazendo necessário para os negócios a adoção de práticas de FinOps, que
tornam o gerenciamento de custos de cloud
eficaz, traz responsabilidade financeira aos gastos variáveis da nuvem e permite
cultura compartilhada e escolhas inteligentes entre velocidade, custo e
qualidade.
A conexão de IA às estruturas tecnológicas é a prioridade dos gestores de
TI, mas há um descompasso entre a tecnologia e sua usabilidade. De acordo com
pesquisa da Flexera, apenas 19% conseguem demonstrar sua eficácia, por falta de
foco e mensuração do impacto.
Outra dor é a dificuldade no aprendizado da IA e seu alinhamento com as
operações devido a qualidade dos dados e a ausência de uma estrutura robusta de
governança da IA. Apesar da grande quantidade, são dados duplicados, desatualizados,
desnecessários, de fontes pobres e não confiáveis. É preciso higienizar e
estruturar dados, extrair valor e transformá-los em informações confiáveis,
fidedignas e acessíveis para a tomada de decisões seguras.
Às habilidades técnicas, o perfil do CIO exige o domínio de políticas ESG
para uma TI sustentável, datacenters com eficiência energética, gestão de
resíduos eletrônicos, TI com economia circular e um processo de análise e
seleção de fornecedores que reduza a complexidade do supply chain e promova o uso racional de softwares com a adoção de inovação aberta e venture builder.
Internamente, é preciso uma governança centralizada para evitar lacunas
críticas à TI.
Expansão de SaaS, uso de softwares não autorizados e IA pública, TI paralela e área de negócios tomando decisões tecnológicas trazem riscos como o vazamento de dados, violação à LGPD, aplicativos e softwares redundantes, manuseio por profissionais não qualificados e desrespeito aos protocolos de segurança cibernética que podem gerar gastos desnecessários para corrigir falhas ou indenizações a terceiros.
O sucesso da estratégia tecnológica tem base na governança centralizada, respeito
à LGPD, controle por nível, processamento rápido e seguro, eficiência
energética e uma consultoria que entenda o negócio para desenvolver soluções
que sejam implantadas sem trauma.
A tecnologia é um meio estratégico e não um fim em si mesma, exigindo um planejamento cuidadoso, consultoria de excelência, governança rigorosa e mensuração de resultados para garantir que os investimentos tragam valor real ao negócio.
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