Desenhada para ser guardiã e fonte de conhecimento universal e mostrar as infinitas possibilidades disponíveis ao ser humano, a internet virou uma ferramenta de probabilidades.
Navegamos incessantemente na web em busca de algo que desconhecemos.
Com certeza, você já seguiu esse roteiro.Entra num site de busca, clica num link, pula para uma rede social, ri tolamente, compartilha bobagens, troca de rede... e o algoritmo te empurra de um lugar pra outro. Meia hora, centenas de scrolls e dezenas de links depois, você não lembra o que estava procurando.
Enquanto divagamos errantes, algoritmos nos escaneiam e definem o que vemos.
Eles nos transformam em uma massa uniforme, nos força a abandonar individualidade e criatividade para nos tornar previsíveis, viramos uma questão estatística.
A rede não está preocupada com o que você vê, não há curadoria ou critério, o importante é manter você divagando sem conseguir criar nexo, avaliar conteúdo ou formar uma opinião.
Docilmente, somos gado em currais numerados de acordo com nosso perfil, tangidos por algoritmos.
Nunca Código Binário fez tanto sentido!
Vivemos a era do
preto/branco,
contra ou a favor, sim ou não, sem nuances.
Nos transformam em bit ou numa sequência anônima de 0 e 1, um byte decimal ou binário, perdido no universo.
Perdemos a capacidade de opinar, dialogar e debater.
Saudade de quando perguntavam "qual é o teu signo" pra descobrir algo sobre nós.
Ou do tempo em que éramos 11 dígitos do CPF.
Hoje sou só o Bil, também conhecido como 01100010 01101001 01101100.

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